SAUDADE É AMOR, AMOR É SAUDADE (Ana Claudia Caron)

Ana Claudia

Ana Claudia

Querida mãezinha Liane, querido papai Paulo, Deus nos abençoe.

Como medir a extensão de nossa saudade?

Creio que não há medição para ela, porque a saudade é amor e amor é saudade.

Desta vez, a vovó Julia não me acompanhou, vim com outra caravana que chegou até aqui.

Estamos tão sintonizados que vocês expressaram a preocupação que se tem com os jovens.

Cheguei aqui no Recanto, com a companhia de tanta gente boa do lado de cá, o nosso amigo Abelha que coordena também estas tarefas, nos solicita que cheguemos antes de vocês.

Chegamos aqui creio que às duas horas e recebemos os amigos que iam chegando pedindo a Deus que os proteja, que os livre de todo o mal.

Vi quando vocês estacionaram e foi ótimo e maravilhoso abraçá-los antes que adentrassem ao recinto do Recanto.

Eu fiquei emocionada mesmo e a ausência de notícias minhas não significa que não estou bem, não pensem neste sentido, nada disso, aqui chegam outros familiares requerendo a oportunidade de alívio à dor de seus, que estão aqui ansiosos à espera do contato.

Hoje me foi concedida a oportunidade de trazer algo.

Não é simples mamãe, transpor os limites dos dois planos, fazemos o que nos é possível no “celular” que temos à mão, por isso peço-lhe a compreensão e o entendimento possível.

Estamos integrados pelo movimento da paz, acredito que esses grupos se estendem pelo nosso Brasil, concorrendo para que trabalhemos pela não violência na sociedade.

Os dois planos estão entrosados neste sentido, eu não ficaria fora deste empreendimento, tendo em vista o que me ocorreu, fruto de uma barbaridade desmedida.

Hoje não sinto tanto as cicatrizes que tentam relembrar o que aconteceu. Quando digo cicatrizes são as que estão na alma, no interior de nossos sentimentos, em que vivem as dores maiores, sem dúvidas as agressões, sem dúvidas as marcas no corpo doem muito, mas por questões de terapias e tratamento com o tempo esta dor acaba, mas e os que vivem dentro do coração?

Que remédio, que injeção, que procedimento físico poderá tratar as dores que estão lá dentro? O remédio é o tempo, é a conscientização de valores que nos fazem compreender e tolerar.

Quando vou visitá-los em casa, de primeiro momento vejo os pais queridos que tenho para sempre, mas observo a cota de tristeza que os acompanha diariamente.

Vejo suas lágrimas escondidas mamãe e elas acionam seu coração lhe trazendo um desespero e para que você saiba quando estou com você, é aquele momento que a dor asserena, sabe aquele “tempinho”, mesmo que pequeno, que lhe fala um pouco de calma, é esse instante que passei as mãos em seus cabelos mamãe, sou eu ao seu lado, tentando lhe confortar e dizer-lhe que devemos esperar o tempo, que nos trará no futuro um à frente do outro, onde não mais existirão as lágrimas e o sofrimento.

O titio vai se recuperando e estamos com ele dando o melhor de nós, pode ficar tranquila.

Espero que a minha irmã Ana Paula se encontre consigo e que asserene em seus passos, com os cuidados que o mundo merece.

Eu amo a minha irmã com toda a força de minha alma e torço pela sua paz, saúde e crescimento pessoal e profissional.

Estive com você papai no domingo, que fala aos homens do dia dos pais, creia que lhe dei um abraço e um beijo no rosto, quem sabe o lado do rosto que se aquece de um momento para o outro significa o selo dos meus lábios em seu rosto papai.

Segurem firme aí a bandeira da paz e saibam que nos encontraremos sim, quando vocês se desprendem do corpo físico na hora do sono.

Aquele dia que acordam com mais saudade e com mais serenidade é o reflexo do nosso encontro.

O Corpo físico tem os seus limites para registrar com mais nitidez um encontro comigo.

A filha, com imensa saudade, mas com toda a esperança, despeço em um “até já”.

ANA CLAUDIA CARON (22/08/2007, 18 anos)

Mensagem psicografada no Centro Espírita Recanto da Prece, em Curitiba, no dia 25 de agosto de 2012, pelo médium Orlando Noronha Carneiro­

Publicado em Psicografias

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