TORPEDO DO CÉU (Victor Pimenta)

Querida mãezinha, querido papai João, meu irmão Arthur.

Estou ao lado da vovó Marilene, e da bisa Dulce.

Eu estou vindo aqui para lhes dizer que tudo já é passado. Aqui a leucemia é caso vendido.

Eu chorei muito em ver que lhes tinha deixado em casa com o Arthur meu irmão, mas a vovó me acolheu, eu acordei em um quarto e fui abrir os olhos que presenciei a vovó Marilene, que se apresentou. Depois fui conhecer a bisa Dulce e a bisa Maria.

Mamãe, papai, Arthur, eu moro aqui com a vovó.

Todos os anos de luta contra a leucemia foram lições que escolas não nos trazem. Lições de vida, e eu sei que vocês me deixaram sempre à vontade.

O que valeu sabe o que foi? É que vivemos tudo com mais intensidade, naturalidade.

Nós, ou melhor você mãe, e você pai, me mostravam que eu não era uma criança fora do mundo, que eu não era diferente, tanto é que eu e o Arthur nos batíamos em nossas encrencas de irmão, que em verdade se amam, acho que tem irmãos que disputam porque se amam tanto.

Eu sei, Arthur, que não somos aqueles moleques, mas sei que vejo você me procurando em minhas lembranças.

A nossa vida foi muito divertida, mesmo quando estava lá naquela cama, recebendo a tal de quimioterapia.

Quantas esperanças em nosso coração, quantas lutas para vencer a leucemia…

Eu vou lhes dizer um assunto de gente grande, porque foi a vovó quem me disse:

– Victor, você viria antes, mas o nosso Deus lhe permitiu ficar mais tempo com seus pais.

Aqui não dá pra ser o pimentinha de antes… Nada, nada disso, dá sim, a vovó me deixa à vontade.

Bem, a coisa é assim, eu com saudades e vocês por aí também, mas não vamos nos abater agora.

Mamãe e papai, obrigado pelo que fizeram por mim…

E você também Arthur que sempre acreditou que eu fosse me dar bem e sair daquela situação…

Vocês também são papel parede em meu coração.

Quem saiba eu vire um cientista e invente um celular daqui e ligo para vocês aí.

O negócio é ficar no torpedo do céu, foi o e-mail mais maravilhoso que eu já vi, esse aqui, coisa legal.

Deixo meu grande beijo à todos.

Pai, você é fera!

Mãe, você é demais!

Arthur, você não existe!

VI, VICTOR MARCELLO PIMENTA (22/02/2010, 16 anos)

Mensagem psicografada pelo médium Orlando Noronha Carneiro, dia 20 de fevereiro de 2011, no Grupo Espírita de Caridade Meimei, em Curitiba.
Publicado em Psicografias

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