Outro Futuro Para Construir (Thiago Vinícius Lopes Vasques)

Querida mãezinha Ivonete, extensivo ao papai Luiz, começo esta carta pedindo para que Jesus nos abençoe.

Sou auxiliado por amigos que conheci aqui e que me orientam e que confortam.

A sua presença aqui me tranquiliza e assim me sinto mais firme para escrever.

Recebi mamãe muito auxílio e desde já peço que você pacifique seu coração por mais a sua preocupação de mãe que em suas orações a mim pede a minha paz e serenidade de coração.

Hoje chegou o nosso dia de reencontro com a presença do meu avô Adolfo.

Penso que nosso coração tem que lutar para aceitar.

O trânsito parece ser uma caixa de surpresa, as pessoas entram em seu carro com seus problemas, com suas lutas dentro do coração e saem para seus destinos…

Hoje, mãe, fico pensando o que se passar na cabeça das pessoas que estão no volante…

Alguém está pensando no filho em estado grave, internado no hospital, outro está com a cabeça em sua conta bancária e não sabe como vai pagar as suas dívidas. Enfim, cada um é uma história…

Infelizmente quando o acidente aconteceu as pessoas envolvidas perderam seu equilíbrio com as discussões que ocorreram. Eu não sabia, minha mãe, que as coisas tomariam um rumo de tanta violência.

As pessoas, infelizmente, não compreenderam a situação e aí foi aquele reboliço, vieram até mim e me feriram, com pedras que me atingiram e eu não tive como me defender mamãe…

Eu sei que caí na inconsciência e depois mais nada vi. Só escutava gritos e mais gritos que me ofendiam e não sabia que a discussão em trânsito viria a chegar no ponto em que chegou.

Sei que acordei nos braços de meu avô, tempo depois, e aí pude compreender que eu não havia morrido, e fui confortado. E até hoje, mamãe Ivonete, venho aprendendo as coisas dessa nova etapa de minha vida, que digo com todas as letras, não me deixou de vez longe de vocês, porque na medida do possível eu os reencontro visitando lá em casa.

Mãe, eu tenho lutado muito para perdoar e tenho conseguido melhorar muito em meu coração.

Confesso mãe, que no início foi muito, mas muito difícil. Vinha uma revolta, mas contei com gente do bem desse lado que me ajudaram a vencer a mim mesmo.

Ainda não tirei de todo a mágoa, mas a mágoa não me faz sentir qualquer vontade de prejudicar aqueles que não aceitaram a situação, só puderam usar das próprias mãos para no pensar deles se justificarem em seus atos.

Que nossa situação nos auxilie a pensar no bem, caminho que você sempre me ensinou.

Deixo meu abraço às minhas irmãs Tatiane, nossa Tati, e Tuelen, que vivem no meu coração.

Sei que elas são inspiração para você seguir para frente, e conto como as minhas irmãs para que a ampare e proteja.

Mãe, você pode tranquilizar o coração, dormir tranquila, e pense que aquela violência em trânsito já passou. Eu não estou preso à isso, ao que passou, penso, mãe, olhando para a frente.

Aprendi aqui que o que fazemos com as mãos a vida retornará o que fizemos. É uma lei para todos nós.

Não vamos viver no passado, mãe, como se não tivéssemos um outro futuro para construir.

Não estou nas baladas dos erros por aí, sigo aqui na paz e com uma outra vontade de seguir aqui com meu novo plano de amanhã.

Eu sou eternamente grato a você mamãe, e fique sossegada, não estou sofrendo aqui.

Sou seu filho para sempre.

THIAGO VINÍCIUS LOPES VASQUES (01/01/2013, 29 anos)

Mensagem psicografada na Associação Beneficente Espírita Caminheiros do Bem, em Curitiba, no dia 26 de abril de 2014, pelo médium Orlando Noronha Carneiro.

Publicado em Psicografias