A Natureza é um Grande Palco de Deus (Evellin Cornelsen Avellar)

Evellin Cornelsen Avellar - Dez 2014Minha mãe Suemir, mamãe, com as bênçãos de Deus sou trazida aqui pela vovó Eleomir que me auxilia a escrever.

Estou a cada dia melhor, mamãe, e com a saudades tamanha que me seguro aqui para não ficar só em seus braços.

Vovó me acaricia, e enquanto escrevo vou colocando as ideias no lugar.

E lembra de todo o afeto que recebi em casa diante da prova limite que recebi…

Me sinto agora como um pássaro que conseguisse sair de uma prisão, mas a vovó vem me alertando que eu devo abençoar e agradecer ao corpo que vim sem tantas possibilidades.

Os limites que eram só físicos, mas que o corpo conseguiu me ensinar por quase trinta anos de aprendizado ao lado de você que é a minha maior riqueza.

Quando eu acordei do sono que me vi a vó se mostrou para mim e se identificou para mim como minha avó, e aí aos poucos fui percebendo que fui sendo eu mais do que eu era, com agilidade e pensamentos mais claros e rápidos, e assim hoje mamãe chego aqui para a mensagem e carta sem aqueles limites todos.

Não se preocupe comigo, que sua princesa está bem e com a vida renovada…

Para ver que não estou alheia peço a você levar aos meus irmãos, à Ellen e ao Erick um forte beijo.

Queria sentir suas mãos em minhas mãos e agradecer por estar comigo sempre.

Tá certo mãe, me identifico com o desenho que segue para lhe falar que a vida não acaba. A natureza é um grande palco de Deus. As borboletas são de Deus.

-EVELLIN CORNELSEN AVELLAR (15/05/2014, 28 anos)

Mensagem psicografada na Associação Beneficente Espírita Caminheiros do Bem, em Curitiba, no dia 14 de dezembro de 2014, pelo médium Orlando Noronha Carneiro.

Evellin Cornelsen Avellar – Dez 2014

Em 2011 João Bosco e Vinícius fazem uma homenagem a Evellin na Tv Xuxa:

Segue relato muito bonito publicado no Jornal Gazeta do Povo:

Uma chuva de purpurina

Publicado em 01/06/2014 | Texto: Aline Peres, alinep@gazetadopovo.com.br

Evellin será lembrada pelos esmaltes coloridos, pelo batom de cor rosa fosforescente e, acima de tudo, pela paixão que tinha pela música sertaneja. Conhecia quase – se não todas – as duplas da atualidade. E, mesmo tendo passado 90% dos 28 anos internada em hospitais, sabia extravasar a alegria que sempre lhe motivou e lhe deu esperanças para enfrentar a Síndrome de Williams. “Os sertanejos eram seu remédio”, lembra a mãe Suemir. Assim como as flores, que para ela simbolizam vida. O último pedido foi para que na sua despedida fosse usada purpurina. “Para chegar no céu brilhando”.

No dicionário da jovem não havia a palavra depressão. A doença, de origem genética, causava problemas cardiovasculares e outros que restringiam a vida do paciente. No entanto, Suemir garante que a filha nunca se sentiu tolhida. “Sempre manteve o ânimo para viver”. Tanto que Evellin se transformou em uma figura conhecidíssima nos bastidores de shows em Curitiba. Estava em todos – sem exceção – na primeira fila, com o enorme sorriso que lhe era peculiar, só esperando o momento para tirar foto com os artistas. São centenas, segundo a mãe. Suemir recorda-se da frase recorrente dos médicos: “Evellin está na prorrogação e sempre quer bater todos os pênaltis”.

A descoberta da doença foi árdua. Até os 12 anos, ninguém sabia exatamente o que a menina tinha. Enquanto Evellin permanecia na escola regular, em uma classe especial, a mãe buscava respostas nas enciclopédias durante as visitas semanais à biblioteca pública. Encontrou um médico que lhe ouviu e, após o resultado dos exames e a constatação da Síndrome de Williams, ouviu por telefone: “Mãe, venha buscar seu diploma”. Com todo esse empenho, Suemir conseguiu aumentar a rede de atendimento e possibilitar à filha mais qualidade de vida.

Não era dada à autopiedade e comiseração ao lembrar-se de sua doença. Quando criança aprendera que tudo o que existia estava escrito no dicionário. Se não estivesse, não existia. Um dia lhe informaram que ficaria depressiva. Não teve dúvida. Pediu para mãe achar a palavra no dicionário, ouviu com atenção o significado da doença, tirou o livro da mão da mãe, e rasgou a página. “O que não está escrito, não existe” e sorriu.

Outra peculiaridade de Evellin era participar de sorteios em rádios e mídias sociais. Era sortuda! Ganhou 257 sorteios, lembra a mãe. “Quando ela entrava, ninguém tinha chance.” Entre os prêmios, o que mais gostava: as viagens para shows de sertanejos. Os cantores lhe adoravam. Já sabiam de sua presença e reservavam um espaço no show e no camarote. Participou de programas de televisão e de homenagens aos seus ídolos. Quando não podia sair do hospital, os cantores iam até ela para um beijo, um abraço e uma foto. A dupla Willian e Renan, por exemplo, chegou a visitar Evellin muitas vezes. Numa delas, promoveram uma roda de viola. O seu último show foi com Fernando e Sorocoba, no início de maio.

Os tesouros de Evellin estão guardados dentro de uma caixa verde ilustrada com pássaros e flores. Dentro dela, além dos esmaltes e do batom – que fazia questão de usar em cada um dos inúmeros shows e festas que esteve presente nesses últimos anos – também estão as palhetas e as fivelas dos cantores, recebidas de presente, assim como o CD autografado da dupla João Bosco e Vinicius. Deixa a mãe e dois irmãos.

Publicado em Psicografias